E-commerce: a revolução da última milha

Por: Editor NV 6.136 views

Quem conseguir atender essa demanda do mercado abocanhará uma fatia carente e expressiva do setor

No mercado que apresenta um crescimento expressivo a cada ano e já se consolidou em diversos países como um dos mais fortes da economia, pequenos, médios e mesmo gigantes do comércio eletrônico enfrentam o mesmo desafio: a eficiência do processo de entrega da mercadoria, principalmente o da última etapa da cadeia, conhecida como logística de última milha.

Crescendo muito acima da média dos demais segmentos de serviços, o e-commerce registrou em 2014 uma evolução de 24% no volume de faturamento em comparação ao ano anterior, acumulando R$ 35,8 bilhões, segundo dados da consultoria E-bit.

Mesmo crescendo ano após ano, o e-commerce enfrenta um problema grave de logística: a chamada última milha ? quando o produto entra na rota final de entrega, saindo do Centro de Distribuição para a residência do consumidor, por exemplo.

Com o custo de até 30% do valor logístico, a última perna da logística tem grande interferência na lucratividade e na eficiência das empresas, sobretudo aquelas que possuem tíquete médio baixo.

Uma pesquisa realizada pela ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico) mostrou que 81% das empresas de comércio eletrônico ainda utilizam os Correios como forma de transporte – 15% utilizam empresas privadas de transporte e apenas 4% utilizam meios próprios de entrega da mercadoria.

Por mais que ainda seja um gargalo persistente, muito já está sendo traçado para diminuir o tempo de trajeto da mercadoria para o seu destino final. E nesse aspecto, a tecnologia não poderia ter outro papel senão o de contribuição.

A empresa multinacional de origem alemã DHL, uma das maiores do segmento de logística e entrega expressa do mundo, possui um programa altamente capacitado de Big Data com foco na logística de última milha. Os veículos que transportam as cargas são munidos de informações como condições de tráfego e de clima, que ajudam a definir em tempo real o melhor trajeto a ser percorrido. Esses dados são cruzados com informações adicionais, como presença do receptor no local de entrega da encomenda ? caso o receptor não esteja no local, a rota é recalculada para a próxima encomenda e assim por diante. O resultado disso é um ganho de eficiência, com redução das milhas percorridas e do custo com combustível.

Essa solução não é tão acessível por ter um alto custo de implementação e a necessidade de infraestrutura para colher as informações e transformá-las em ações. Porém alternativas acessíveis já estão disponíveis.

A criação de aplicativos mobile ou plataformas web conecta empresas de e-commerce a colaboradores que realizam a entrega do produto no trecho de última milha. Esse serviço sob demanda é muito efetivo para a redução de tempo da entrega da mercadoria e do custo da logística. O controle desses colaboradores pelo uso da tecnologia ? no caso o dispositivo móvel ? é o que fará a diferença nos próximos anos.

O problema da logística de última milha persiste há tempos para as empresas que atuam diretamente com vendas e entrega de produtos. As soluções para apresentar eficiência nesse processo, porém, estão surgindo. Aqueles que conseguirem atender essa demanda do mercado de forma simples e eficiente abocanharão uma fatia carente e expressiva do setor, iniciando uma revolução na cadeia logística.

*Jhonata Emerick é CEO e fundador da 99motos

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