Problemas financeiros podem impactar a produtividade dos colaboradores

Por: Raisa Covre 2.421 views

Levantamento exclusivo da Blue Numbers aponta que funcionários endividados podem utilizar até uma hora de seu dia para resolver problemas. Como lidar com a situação?

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Os últimos dois anos não foram fáceis para os brasileiros. O PIB retraiu, o poder de consumo caiu e muitos consumidores ficaram inadimplentes: segundo levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), mais de 50 milhões de CPFs estão negativados. Isso significa que um em cada quatro brasileiros está inadimplente e deixou de pagar, pelo menos, uma de suas contas. Esse quadro tem impacto direto na vida das pessoas – até mesmo em sua vida profissional.

Estatísticas do Banco Central sinalizam que, nos últimos cinco anos, o número de brasileiros com dívidas superiores a R$ 5 mil passou de 10 milhões para 23 milhões. “Nesse grupo de negativados, temos tanto pessoas desempregadas quanto ainda em atividade. E o que mais tira a tranquilidade de uma pessoa são casos de doença e problemas financeiros”, explica Márcio Iavelberg, sócio-diretor da Blue Numbers. Uma pesquisa da Associação Americana de Psicólogos, por exemplo, mostra que o quesito dinheiro é apontado por 69% dos entrevistados como principal fonte de estresse.

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Uma vida financeira conturbada influência toda a rotina de um indivíduo. Para o especialista em gestão de pequenas e médias empresas, alguém angustiado por não conseguir pagar uma conta, com crédito bloqueado no banco, cheques devolvidos ou, ainda, pessoas telefonando para cobrar dívidas, tomam um tempo precioso e que o profissional acaba tendo que resolver em dia útil e horário comercial. A produtividade do profissional pode cair, já que precisa administrar os problemas e às vezes até mesmo se ausentar para resolver pendências.

Um levantamento da Blue Numbers conclui que profissionais com esse tipo de problema chegam a perder até uma hora por dia no telefone ou e-mail na tentativa de resolver esses problemas. Ou seja, as empresas arcam com 12,5% a menos de tempo útil de trabalho, além da qualidade inferior das outras horas trabalhadas. “Quando a empresa é mais rígida com acesso a telefone e internet, a pessoa acaba usando o tempo de almoço para escapar no banco, por exemplo, debilitando o corpo e mente para o trabalho do turno vespertino”, explica Iavelberg.

Se a inadimplência for um problema de muitos colaboradores, o quadro acaba se agravando: no caso de pequenas e médias empresas, se 20% dos funcionários estiverem com problemas e gastarem uma hora por dia para resolvê-los, a empresa perderá 2,5% de sua capacidade produtiva.

Como auxiliar?
Com a crise, muitos brasileiros passaram a administrar com mais afinco suas finanças, utilizando técnicas de controle e economia consciente. Esse é o primeiro passo para uma organização pessoal.

Para o especialista, esse também pode ser um papel das empresas. “As organizações têm criado ações específicas que podem gerar um impacto pontual importante, mas não assegura uma mudança de cultura e de comportamento”, lembra.

Uma estratégia contínua, porém, pode auxiliar. “É essencial desenvolver ações continuadas e preventivas, já que a vida financeira e as decisões de compra envolvem questões emocionais, sensação de poder, estilo de vida e mudanças de hábitos e de modelos mentais”, explica Iavelberg.

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