Como a Internet das Coisas pode ser aplicada no varejo brasileiro

Por: Camila Mendonça 1.252 views

Presidente da SAS mostra como a IoT impacta na estratégia do varejo físico e online e o futuro da aplicação dessa tecnologia no setor

Como a Internet das Coisas pode ajudar o varejo? Especialista da SAS avalia (cred: Shutterstock)

Cada vez mais comum, ao menos em rodas de debates, a Internet das Coisas (ou IoT – Internet of Things) populariza-se cada vez mais. Conhecida por conectar todas as coisas, ela chega a outro patamar. “A IoT tem impacto em toda a cadeia de suprimentos do varejo e agora está chegando para o consumidor na ponta”, conta Cássio Pantaleoni, presidente do SAS Brasil, empresa de tecnologia.

No varejo, a IoT já está na fase de monitoramento dos produtos, dos centros de distribuição até o consumidor. “Toda a cadeia e a parte de entrega já está sendo influenciada por isso. O Brasil começa a se preocupar com IoT agora, porque não tem alternativa e isso vai impactar a vida das pessoas e o varejo de uma maneira forte nas próximas décadas”, afirma o especialista.

A questão, segundo o executivo, não é mais a conectividade dos objetos – esse conceito já está consolidado. O grande debate hoje é a informação gerada pelo objeto conectado e como ele vai suprir o big data do varejo a partir desses dados. “Esse objeto está coletando os dados para tentar descobrir outras correlações que possam orientar estratégia, e o modo como ele vai disponibilizar a mercadoria”, afirma.

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Esse assunto de fato está se desenvolvendo no País. E um exemplo é a popularização de algo que poucas pessoas acham que é IoT: as etiquetas de RFID. “O RFID é uma forma de ver o IoT tomando vulto no varejo. Então, não estamos atrasados em relação a outros países, porque o mundo está se preparando para isso de forma intensa e tudo o que está sendo feito ainda é bem elementar”, explica Pantaleoni.
Inteligência das Coisas

Mais do que a Internet das Coisas, hoje o que se debate é a Inteligência das Coisas. “Não se trata apenas de IoT, mas a gente começa a ver que o grande salto não é a conexão e captação da informação, mas como você utiliza esses dados de forma inteligente para tirar proveito para o consumidor e para o varejo”, afirma o executivo.

Com a IoT, é possível captar alguns padrões de comportamento, monitorar a partir de uma curva de representatividade, sem a necessidade de armazenar tanta informação. “Essa percepção da IoT vai demorar um pouco mais para ser aplicada”, diz. Mas deve chegar ao Brasil aos poucos, principalmente por conta do comportamento do cliente, cada vez mais conectado. O brasileiro, sobretudo, tem uma forte predisposição a aceitar e adotar novas tecnologias e as novas gerações não se intimidam em fornecer seus dados em troca de algum benefício.

Com essas informações, o varejo consegue fazer ofertas que fazem sentido, porque têm dados que permitem uma estratégia mais personalizada. Esse acompanhamento da jornada do consumidor no varejo já está sendo feito por shoppings, de acordo com Pantaleoni. “Hoje todo o trajeto que a pessoa faz dentro do shopping determina uma série de decisões para o lojista e administrador”, afirma.

O que é possível fazer com o IoT no varejo

Quando se fala em IoT no varejo, a tendência mais imediata é buscar relacionar essa tecnologia a experiência do cliente, mas construir uma relação com o cliente mais inteligente é uma demanda mais urgente. “O varejo tradicional está cada vez mais se configurando como um ambiente de experiência, porque hoje existe a compra que você faz quando sabe o que quer ocorre muito no e-commerce, mas o varejo físico tem um papel forte nessa trajetória. E a IoT entra aqui também e não apenas no varejo online”, afirma o especialista. “A demanda mais urgente no varejo tradicional é a experiência”.

Tudo será à base de informação – a venda e o pós-venda terão a IoT como drive da estratégia. “A partir disso, consigo dar para o meu cliente informações que motivem aquela compra. É a captação da disposição do consumidor por comprar por impulso e não apenas quando ele precisa de alguma coisa de fato”.

Enquanto o varejo online fornece dados suficientes para criar oportunidades de cativar o consumidor em vários pontos de contato, no varejo físico existe a interação direta com o consumidor. “Temos de entender que cada um de nós tem um comportamento de compra distinto, e com a loja física consigo criar essa capacidade de conexão que a loja online não consegue criar”, afirma.

A grande vantagem do IoT, afirma Pantaleoni, é a capacidade dessa tecnologia de gerar uma previsibilidade de receita no negócio. A partir do momento que você utiliza a inteligência das coisas o que você ganha é uma previsibilidade consistente, o que lhe permite entender o que fazer daqui dois meses quando o cenário estiver diferente. O IoT permite que essa previsibilidade seja refinada a partir dos dados disponíveis”, considera.

Limites

Até onde vai a IoT? “Do ponto de vista do comportamento humano não vejo limite, mas o grande desafio é que a IoT tem de nascer como uma visão orientada para a diversidade”, afirma Pantaleoni. O executivo refere-se a alguns pontos, como conexão tecnológica disponível, das marcas mesmo; protocolos e escalabilidade. “Seja qual for a tecnologia e o processo, é preciso que o negócio seja capaz de lidar com essa diversidade e tenha capacidade de armazenamento e de filtro, que é o mais importante, para saber o que é dado relevante e o que é um dado desprezível”, afirma.

Além disso, tem a questão da segurança. “Com a hiperconexão aumenta o número de cyber-crimes. Então, o desafio é lidar com a diversidade, todos os softwares e como, a partir disso, eu garanto a escalabilidade, garantindo, ao mesmo tempo, a segurança”, afirma.

A IoT hoje

A SAS fez uma relação áreas nas quais os varejistas já estão tirando proveito das vantagens da Internet das Coisas:

1. Manutenção Preditiva

Ela é usada no gerenciamento de energia, na prevenção de falhas ou na detecção de outros problemas. Em um supermercado, por exemplo, há muitos equipamentos em uso constante, entre os quais os sistemas de refrigeração dos setores de frios, laticínios e carnes. Naqueles que possuem sensores, é possível prever qualquer ocorrência que possa afetar o consumo de energia, no intuito de manter ou monitorar as variações de temperatura e assim garantir a qualidade dos alimentos.

2. Transporte Inteligente

A eficiência no transporte dos produtos é um dos objetivos de aplicações no varejo, e a Internet das Coisas pode ser utilizada com diversos propósitos: manutenção, rastreamento e otimização de rotas, por exemplo. Muitos varejistas fizeram uso no passado do GPS, mas com a IoT é possível saber a que distância um pallet está de determinada loja, com um grau de precisão muito maior.

3. Armazenamento Sob Demanda

Quando se trata de estocagem, a IoT se conecta a dois conceitos muito atuais: automação e robótica, ambas impulsionadas pela demanda de compras tanto nas lojas físicas quanto de compras online. A Internet das Coisas permite monitorar as oportunidades de vendas em tempo real e, ao mesmo tempo, fazer o rastreamento das vendas perdidas nas lojas.

4. Cliente Conectado

Cada vez mais os consumidores, sempre conectados, são impactados por onde passam. Os varejistas entendem que os clientes são capazes de pesquisar preços e níveis de estoque das lojas em seus dispositivos móveis. Antes, a regra era oferecer promoções a todos os clientes, na esperança de que alguns deles pudessem ter interesse. Com a Internet das Coisas, é possível entender todo esse contexto e saber quando o cliente precisa de ajuda ou de algum incentivo para realizar a compra, agindo de forma proativa.

5. Loja Inteligente

Agora, é possível usar o monitoramento de tráfego para saber se os clientes estão frequentando a área onde está determinado produto. Com isso, basta direcionar um atendente para aquele local ou analisar essa informação posteriormente e verificar a necessidade de algum ajuste no layout da loja, para atrair clientes mais rentáveis. Fazendo isso, é possível personalizar a experiência de compra, abrindo oportunidades para implementar ações de marketing digital ou a oferta de anúncios nos dispositivos móveis.

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